19.4 C
Dourados
domingo, 1 de fevereiro de 2026

Investigadores veem situação de Toffoli como insustentável

Ministros do STF são alertados sobre agravamento das investigações do Caso Master e defendem que o caso desça para a primeira instância, numa saída ‘feijão com arroz’: não cria tese nova, é defensável tecnicamente, tira Toffoli do centro do caso e reduz a pressão direta sobre a Corte

Investigadores ouvidos por Andréia Sadi, Apresentadora do Estúdio i, na GloboNews, foram taxativos ao afirmar que a situação do ministro Dias Toffoli é tida como insustentável e a tendência é que se agrave no decorrer de novas revelações. De acordo com os investigadores, o motivo é estrutural, pois há frentes da investigação que não estão sob o comando do ministro nem concentradas no Supremo.

A saída sugerida está sendo apontada como o “feijão com arroz” jurídico, já que não cria tese nova, é defensável tecnicamente, tira Toffoli do centro do olho do furacão e reduz a pressão direta sobre o STF. Na avaliação dos investigadores não há um ponto de virada que encerre a crise — apenas uma sucessão de desdobramentos que independem, inclusive, das decisões do próprio Toffoli.

Utilizando São Paulo como exemplo, as apurações que envolvem fundos e estruturas financeiras seguem em curso, podendo gerar novos fatos a qualquer momento. Mesmo que Toffoli tente “organizar” o caso no STF, o desgaste pode vir por fora.

Esse diagnóstico já foi levado diretamente à maioria dos ministros da Corte. Investigadores alertaram que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, transformando um problema individual em risco institucional. Com isso, os ministros estão cientes da gravidade do quadro.

Dentro do Supremo, a leitura é dura, mas pragmática. Há quem concorde que a situação é complexa demais para que o ministro permaneça à frente do caso e defendem uma saída para baixo, ou seja, que o caso desça para a primeira instância.

Essa saída é vista como o “feijão com arroz” jurídico: não cria tese nova, é defensável tecnicamente, tira Toffoli do centro do caso e reduz a pressão direta sobre o STF e, embora não seja uma saída honrosa, pelo menos se mostra menos traumática para a Corte.

Investigadores veem situação de Toffoli como insustentável
Na avaliação de uma ala da Corte, a decisão sobre o que fazer está nas mãos do próprio Toffoli. — Foto: AFP via BBC

Essa é considerada a alternativa possível justamente porque a outra — Toffoli simplesmente deixar o caso — não é vista como factível. Ministros não acreditam que ele aceitaria se afastar voluntariamente da condução.

Ao mesmo tempo, há uma queixa interna: não houve uma tentativa real de convencimento institucional. Faltou uma conversa direta, coordenada, que buscasse construir essa saída antes que a crise ganhasse dinâmica própria.

O resultado é que a crise colocou o Supremo como tema político antecipadamente. Nos bastidores, a avaliação é que o STF foi colocado “na linha de tiro da campanha”. O tribunal deixou de ser apenas um alvo da extrema-direita e passou a entrar no radar eleitoral de forma mais ampla, transformando-se em tema de disputa num momento de alta sensibilidade institucional.

O impasse central permanece: na avaliação de uma ala da Corte, a decisão está nas mãos do próprio Toffoli. Manter o caso no Supremo concentra o desgaste nele e amplia o risco de o tribunal ser visto como juiz em causa própria. Com novos fatos podendo surgir fora do alcance do relator, a contenção pode se tornar inviável.

A leitura interna é que esticar a corda agrava a situação do tribunal e empurra o STF para o centro de uma crise política permanente. A crise de Toffoli, dizem investigadores e ministros, não tem prazo para acabar. Tem apenas a chance — ainda aberta — de ser contida antes de contaminar toda a Corte.

Fonte: g1

Leia também

Últimas Notícias