Banco Central havia deixado o Banco Pleno (ex-Voiter) de fora do episódio; liquidou três meses depois de operação policial
Um rombo de quase R$ 52 bilhões deverá ser criado por conta das liquidações extrajudiciais de instituições financeiras ligadas ao Banco Master FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Será a maior cobertura da história do fundo.
Nesta 4ª feira (18), o Banco Central decretou a liquidação do Banco Pleno (ex-Voiter), que não fazia mais parte do conglomerado, mas foi vendido ao ex-sócio do Master, Augusto Lima, em operação aprovada pela autoridade monetária em 24 de julho de 2025.
O Poder360 publicou, em janeiro de 2026, que o BC havia deixado o Banco Pleno de fora do escândalo do Master mesmo após o empresário baiano ter sido preso na operação Compliance Zero. A liquidação é feita 3 meses depois da liquidação do Master.
Sem citar um banco específico, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, havia declarado, em evento da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), em 9 de fevereiro, que “a instituição é vítima de um eventual problema que possa ter ocorrido com quem tomou aquelas decisões”.
E completou: “Você não pune a instituição e salva as pessoas. Você tenta salvar a instituição e pune as pessoas que possam ter feito mal”. Galípolo disse ainda que o prejuízo no FGC seria maior se não fosse a atuação do Banco Central.
ROMBO NO FGC
O rombo no FGC será de R$ 51,8 bilhões no caso Master. O fundo é uma entidade privada, mantida pelos bancos, que funciona como uma espécie de reserva para investidores em caso de quebra ou intervenções. Resguarda até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição.
O Banco Central decretou as seguintes intervenções:
- Conglomerado Master – rombo de R$ 40,6 bilhões;
- Will Bank – rombo de R$ 6,3 bilhões;
- Banco Pleno (ex-Voiter) – rombo de R$ 4,9 bilhões.
O FGC publicou uma nota nesta 4ª feira (18.fev) para dizer que os pagamentos aos investidores serão efetuados a partir dos dados e valores indicados pelo liquidante, que é o responsável legal indicado pelo Banco Central.
O Banco Pleno tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões. Todos os créditos enquadrados no Regulamento do FGC terão o processo de pagamento iniciado tão logo o levantamento dos dados dos credores seja concluído e disponibilizado.
Quem é Augusto Ferreira Lima
Augusto Ferreira Lima, conhecido no mercado financeiro como Guga Lima, é um empresário brasileiro com atuação no setor de crédito consignado e no sistema bancário. Baiano de nascimento, Lima construiu sua carreira a partir do varejo popular e ascendeu rapidamente no setor financeiro a partir de 2018, quando entrou no segmento de crédito ligado à administração pública e a funcionários públicos.
A vida empresarial de Lima começou fora do sistema bancário tradicional. Empresário com atuação regional na Bahia, ele migrou para o mercado financeiro com a estrutura monetária ligada à rede de varejo da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal responsável pela rede Cesta do Povo, adquirida em processo de privatização durante o governo do petista Rui Costa (2015-2022), hoje ministro da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Foi a partir dessa operação que ele estruturou o Credcesta, um produto de crédito consignado voltado inicialmente a servidores públicos estaduais, que ganhou escala por meio de convênios com o Estado e ampla divulgação institucional, tornando-se um dos principais negócios de Lima no segmento.
Em 2019, Lima entrou na sociedade do Banco Master, então controlado por Daniel Vorcaro, levando o Credcesta para dentro do conglomerado e assumindo papéis de liderança estratégica. O produto se tornou um dos motores de crescimento do banco, e Lima chegou a ser CEO do Master, participando de planos de expansão e de negociações relevantes do banco no mercado.
Aquisição DO Banco Pleno
Em 2024, Lima se desligou da sociedade com Vorcaro e da gestão do Banco Master. Cerca de 1 ano depois, em junho de 2025, ele adquiriu o Banco Voiter S.A. (antigo Banco Pleno), que integrava o conglomerado prudencial do Master.
A transferência de controle foi aprovada pelo Banco Central em 24 de julho de 2025, mesmo com identificação, pelos próprios técnicos do regulador, de irregularidades e “créditos podres” ligados ao Master. Essa autorização ocorreu enquanto havia comunicação formal de indícios de fraude ao Ministério Público Federal –o que tem sido motivo de debates sobre a atuação do BC na supervisão bancária.
Após a compra, a instituição passou a se chamar Banco Pleno S.A., sob controle de Lima, que fez aportes de capital e integrou ali os negócios de crédito consignado –especialmente o Credcesta–, operando sob a nova bandeira bancária.
O que credores devem fazer
Os investidores prejudicados devem utilizar o Aplicativo FGC, desenvolvido para simplificar o processo de pagamento de garantias, de forma ágil e totalmente online.
O aplicativo do FGC está disponível nas lojas Apple Store ou Google Play e os credores já podem realizar seu cadastro básico. “Em etapa posterior, assim que o FGC receber a relação dos credores do liquidante, será possível realizar a solicitação da garantia, com a identificação do beneficiário e a indicação da conta de sua titularidade, onde o valor da garantia será depositado”, disse a nota.
Os depositantes e investidores devem acompanhar o processo pelas redes sociais e pelo site do FGC, onde serão disponibilizadas todas as informações e atualizações do processo.



