O relatório da análise de conduta de Divoncir Schreiner Maran, desembargador aposentado que soltou Gerson Palermo, em 2020. Chefe do PCC fugiu horas depois e ainda não foi encontrado, levanta suspeitas
O relatório do Processo Disciplinar Administrativo (PAD) que analisou a conduta do desembargador aposentado compulsoriamente Divoncir Schreiner Maran ao soltar Gerson Palermo, aponta para suspeita de que o magistrado atuou vendendo a sentença. O CNJ aponta que a soltura do chefe do PCC, Gerson Palermo, pode ter envolvido venda de sentença, com pagamentos disfarçados em transações de gado.
Investigações que vêm sendo realizadas revelaram que o filho do desembargador movimentou R$ 500 mil anuais em gado, valor incompatível com sua renda e visto como lavagem de dinheiro.
O desembargador Divoncir Maran foi aposentado compulsoriamente por violar deveres judiciais. Gerson Palermo fugiu após a soltura e segue foragido.
Explicações
O relatório do Processo Disciplinar Administrativo (PAD) que analisou a conduta do desembargador aposentado compulsoriamente Divoncir Schreiner Maran ao soltar Gerson Palermo aponta para suspeita de que o magistrado atuou vendendo a sentença.
O g1 teve acesso ao documento que analisa informações da polícia judiciária e do Coaf sobre as movimentações financeiras de Maran. De acordo com o relatório, a suposta venda da decisão judicial que soltou o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) ocorreu a partir negociações envolvendo gado, conduzidas pelo filho mais velho do magistrado.
Após analisar movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelo filho do desembargador, que é advogado, Justiça chegou a uma conclusão. Os documentos revelam que ele recebia menos de R$ 8 mil mensais, mas chegou a movimentar R$ 500 mil por ano, “associado com operações com gado”.
Para a Justiça, o pagamento por meio de transferência de gado é “prática comum de lavagem de dinheiro, especialmente em Mato Grosso do Sul”.
Assim, o CNJ entendeu que, para não se comprometer com ‘dinheiro ilícito’, Divoncir “utilizaria seu filho como operador de maneira a vender esse gado e ‘limpar’ o dinheiro para a família Maran”, conforme cita o documento. A defesa de Divoncir Maran foi procurada mas ainda não se manifestou.
“O contexto investigativo explanado não deixa dúvidas de que existem elementos concretos e provenientes de variadas fontes de que o Desembargador Divoncir utiliza o cargo para o cometimento dos crimes
Punição ao desembargador
O Conselho Nacional de Justiça puniu o desembargador Divoncir Schreiner Maran com aposentadoria compulsória após concluir que a decisão que concedeu prisão domiciliar a Palermo extrapolou os limites da atuação judicial.
Segundo o relator do Processo Administrativo Disciplinar, conselheiro João Paulo Schoucair, a concessão do benefício ocorreu sem comprovação médica e violou deveres da magistratura.
O CNJ também apontou que investigações da Polícia Federal identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do magistrado.
Ao final do julgamento, o relator afirmou que os fatos analisados demonstram violação aos deveres de imparcialidade, prudência e decoro exigidos de integrantes do Judiciário.
A fuga de Palermo

Palermo foi condenado a 126 anos de prisão por tráfico de drogas, associação para o tráfico e pelo sequestro de um avião da Vasp em 2000. Ele cumpria pena no presídio de segurança máxima, em Campo Grande, quando teve prisão domiciliar concedida por Divoncir Maran.
O pedido para que o traficante fosse colocado em prisão domiciliar partiu da defesa, que alegou problemas de saúde e riscos a Palermo, já que o período era de pandemia de covid-19.
Após ser solto, Gerson Palermo retirou a tornozeleira eletrônica e fugiu. Quase seis anos depois, o criminoso ainda não teve o paradeiro identificado.
Fonte: g1



