O Paraguai se consolida como um centro logístico fundamental no corredor aéreo da cocaína que liga a Bolívia ao Brasil e à Argentina, utilizando principalmente o Chaco como plataforma de recepção e distribuição.
Um caso icônico ocorrido em 2016 expôs a mecânica do sistema: um avião Cessna com 420 quilos de cocaína pilotado pelo militar boliviano Ismael Menacho foi detectado após uma manobra irregular em Ybicuí. A operação estava ligada a um major aposentado da Força Aérea Paraguaia e a funcionários da Direção Nacional da Aeronáutica Civil (Dinac), evidenciando a infiltração institucional nessas redes.
De acordo com dados da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), o modelo atual é baseado em serviços logísticos: a transferência de drogas do Chapare boliviano para o Chaco Paraguaio pode custar cerca de 45 mil dólares, somando então intermediários para áreas fronteiriças como Amambay, porta de entrada para o mercado brasileiro.
Investigações do sociólogo Juan Martens revelam que 39 líderes políticos foram processados entre 2013 e 2022 por vínculos com o tráfico de drogas e lavagem de bens, incluindo autoridades nacionais, departamentais e municipais. As redes operam com apoio político e estruturas de segurança, utilizando estadias com pistas privadas, aviões roubados — conhecidos como “cabritos” — e rotas rurais isoladas.
A droga que entra no Chaco é transferida principalmente para Pedro Juan Caballero e cruza para o Brasil por Ponta Porã. Parte do fluxo também está indo para a Argentina. A Procuradoria de Narcocriminalidade (Procunar) investiga vários casos de aviões provenientes do Paraguai, como o de Pergaminho, onde foram apreendidos 900 quilos de cocaína, além de episódios em Santa Fé e Chaco.
O fenômeno se entrelaça com causas de alto perfil como a operação Operacional A Ultranza PY, a maior investigação contra o tráfico de drogas no Paraguai, que expôs uma rede de corrupção política e empresarial. Nesse contexto, o senador Erico Galeano foi acusado de lavagem de dinheiro e associação criminosa.



