Detenção é parte da 3ª fase da Compliance Zero, que cumpre 4 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão
A PF (Polícia Federal) deflagrou na manhã desta 4ª feira (4), a 3ª fase da operação Compliance Zero. O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo e será levado para a Superintendência na capital paulista.
Em nota, a corporação informou que o objetivo da ação é “investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.
A ordem de prisão partiu do ministro do STF André Mendonça. Na decisão ele escreveu que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.
Segundo ele, elementos da investigação indicam que o banqueiro “participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.
As investigações também apontam, de acordo com o magistrado, que Vorcaro “manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária, discutindo temas relacionados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhando documentos e minutas destinados à autarquia supervisora para análise previa”.
Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, é um dos alvos de mandado de prisão.
“Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas”, declarou a PF.
A operação foi iniciada pela pela PF em 18 de novembro de 2025. Nas duas fases anteriores, apreendeu 52 celulares, mais de R$ 2,6 milhões em espécie, um avião de R$ 200 milhões, 30 armas e veículos avaliados em mais de R$ 25 milhões.
As investigações começaram em 2024, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), que solicitou a verificação de indícios de fabricação e venda de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional) e circulação de “ativos podres” para ocultar rombos financeiros.
Estão no centro das investigações o Banco Master, de Vorcaro, e gestores, executivos e empresários ligados a fundos de investimentos e operações com títulos de crédito. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025.
Vorcaro havia sido preso preventivamente na 1ª fase da operação. Em 28 de novembro de 2025, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) determinou a soltura de Vorcaro. Ele colocou tornozeleira eletrônica e passou a cumprir medidas cautelares.
O banqueiro tinha depoimento marcado para esta 4ª feira (4) na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado. Na 3ª feira (3), Mendonça, relator do caso do Banco Master no Supremo, retirou a obrigatoriedade de Vorcaro comparecer à comissão.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), divulgou nota nesta 4ª feira (4) informando sobre o cancelamento da sessão “em razão do não comparecimento dos depoentes convocados”. Ele mencionou a decisão do STF que tornou a presença de Vorcaro e Zettel facultativas.
“Na prática, esse tipo de decisão acaba permitindo que o próprio investigado escolha se quer ou não prestar esclarecimentos à sociedade, uma evidente inversão de papéis. Quem é convocado por uma CPI deveria comparecer justamente para explicar fatos que estão sob investigação”, declarou.
“A CPI seguirá firme no cumprimento de sua missão de investigar, esclarecer e dar respostas à sociedade sobre a atuação do crime organizado e suas conexões”, disse.


