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terça-feira, 10 de março de 2026

Mutirão contra Chikungunya encontra 171 focos do mosquito no 1º dia de ação nas aldeias

Equipes da Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Especial de Saúde Indígena, Distrito Sanitário Especial Indígena, Governo do Estado e prefeitura de Itaporã, vistoriaram 664 imóveis na Aldeia Jaguapiru e realizaram tratamento em 288 domicílios; maioria dos focos estava em caixas d’água, lixo e pneus

O primeiro dia do mutirão de combate à epidemia de febre chikungunya na Reserva Indígena de Dourados resultou na identificação de 171 focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença que está sendo tratada como epidemia pelas autoridades de saúde pública. A ação começou nesta segunda-feira (9) e mobilizou equipes da Prefeitura de Dourados e parceiros para eliminar criadouros do vetor da doença.

Durante o trabalho, foram vistoriados 664 imóveis na aldeia Jaguapiru. Desse total, 288 receberam tratamento específico para eliminar larvas do mosquito. A maioria dos focos identificados estava em caixas d’água, lixo acumulado e pneus. Além da eliminação de criadouros, também foi realizada borrifação com máquina costal em 13 imóveis para reforçar o combate ao mosquito.

O mutirão é coordenado pelas secretaria municipais de Saúde e de Serviços Urbanos da Prefeitura de Dourados, com apoio do Governo do Estado, da Prefeitura de Itaporã, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e de lideranças das aldeias Jaguapiru e Bororó.

Nesta terça-feira (10), os trabalhos continuaram com objetivo de vistoriar o maior número possível de moradias e combater focos do mosquito. Neste momento, o foco principal das equipes está na aldeia Jaguapiru, onde foi registrada a maior concentração de casos da doença. De acordo com o boletim epidemiológico mais recente, já são 99 casos confirmados de febre chikungunya na reserva, além de 183 notificações que ainda estão em investigação.

Embora o combate ao mosquito e a atenção primária nas aldeias sejam atribuições do Governo Federal, o prefeito Marçal Filho determinou que a Secretaria Municipal de Saúde mobilizasse equipes para auxiliar no enfrentamento da situação diante da gravidade do cenário.

Durante as primeiras inspeções nas residências da aldeia Jaguapiru, foram encontrados diversos criadouros, principalmente em caixas d’água. Muitas famílias armazenam água da chuva devido à falta de abastecimento regular. Mesmo nas casas com rede de água encanada, a distribuição irregular leva moradores a manterem recipientes cheios por longos períodos, o que favorece a proliferação do mosquito.

Para eliminar as larvas em locais onde a água não pode ser descartada imediatamente, as equipes utilizam produtos biológicos conhecidos como larvicidas ou bioinseticidas. Segundo a coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Priscila da Silva, o produto é específico para as larvas do Aedes aegypti e não oferece riscos para pessoas ou animais domésticos.

Paralelamente às ações nas residências, equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos iniciaram vistorias em prédios públicos da reserva, incluindo escolas, unidades de saúde e centros de assistência social.

A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da zika. Entre os principais sintomas estão febre alta, dores intensas nas articulações, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas, cansaço e manchas na pele. Embora a maioria dos pacientes se recupere em algumas semanas, em certos casos as dores articulares podem persistir por meses ou até anos, exigindo acompanhamento médico.

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