Maioria da 2ª Turma aprova manutenção da prisão preventiva do fundador do Master. Votaram: Mendonça, Fux e Nunes Marques
A 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) tem maioria para manter Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso. O placar é de 3 X 0. Relator do caso, André Mendonça foi acompanhado por Luiz Fux e Nunes Marques.
A votação é realizada no plenário virtual da 2ª Turma. Começou às 11h desta 6ª feira (13.mar.2026). Encerra-se em 20 de março. Ainda falta o voto de Gilmar Mendes. O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito em todos os casos envolvendo o Master e não vota.
Em seu voto, Mendonça diz que:
- ainda há 8 celulares de Daniel Vorcaro para analisar;
- a polícia “comprovou a prática de atos de ameaças concretas” e que um ex-funcionário de Vorcaro e sua família foram ameaçados de morte;
- o grupo chamado de A Turma, responsável por intimidar adversários do ex-banqueiro, “ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta”;
- foi encontrada com Luiz Phillipi Mourão, o Sicário (morto em 6 de março), uma arma em situação ilegal.
Suspeição de Toffoli
Toffoli se declarou suspeito em todos os inquéritos e decisões que envolvem o Master. O ministro comunicou o presidente da 2ª Turma do tribunal, Gilmar Mendes, e o relator do inquérito, André Mendonça, na 4ª feira (11.mar). Disse que como ele já havia declarado sua suspeição em um mandado de segurança que pedia a instauração de uma CPI sobre o banco, há correlação entre os objetos das ações, o que o leva a manter a suspeição também no referendo da liminar de Mendonça.
A declaração de suspeição não é um reconhecimento de culpa. O dispositivo permite que o juiz se afaste do caso quando tem dúvida sobre sua imparcialidade por causa de relações pessoais com as partes (amizade íntima, inimizade, parentesco, interesse no caso).
VORCARO PRESO
O fundador do Master está preso na Penitenciária Federal de Brasília, presídio de segurança máxima, para onde foi transferido em 6 de março. Ele está isolado em uma cela de 9 metros quadrados para adaptação. Nesse período de triagem, há espaço para banho de sol individualizado. Não há contato com os outros detentos nem visitas de familiares.
Após autorização de Mendonça, Vorcaro poderá falar com seus advogados na prisão sem ser gravado. O pedido havia sido protocolado pela defesa do empresário.
“Acolhendo o pedido formulado pela defesa, determino à direção da Penitenciária Federal de Brasília que permita a realização de visitas dos advogados regularmente constituídos nos autos, independentemente de agendamento, sem a realização de qualquer tipo de monitoramento ou gravação por áudio e/ou vídeo”, disse Mendonça.
3ª Fase da Compliance Zero
Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março, na 3ª fase da Compliance Zero.
A ordem de prisão partiu de Mendonça. Na decisão o ministro disse que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.
Segundo ele, elementos da investigação indicam que o banqueiro “participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.
Segundo a PF, o esquema investigado apresenta 4 núcleos principais de atuação:
- núcleo financeiro, responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro;
- núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de funcionários públicos do Banco Central;
- núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas;
- núcleo de intimidação e obstrução de justiça, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.
Além de Vorcaro, foram presos:
- Fabiano Zettel, investigado por realizar pagamentos e orientar núcleo de intimidação;
- Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado investigado por participar de grupo de monitoramento de adversários de Vorcaro;
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, chamado de Sicário –ele morreu em 6 de março depois de tentar se matar enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte. A corporação não detalhou o que aconteceu.
O Celular de Vorcaro
A quebra do sigilo dos dados telemáticos do fundador do Master identificou que ele mantinha o contato dos telefones e autoridades dos Três Poderes, como 3 ministros do STF; parentes de ministros, como a advogada Viviane Barci de Moraes; 6 congressistas; além de 2 diretores do BC (Banco Central) –autarquia que regula e investiga a instituição.
As mensagens estavam em um dos celulares de Vorcaro.
Fonte: Poder360






