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terça-feira, 17 de março de 2026

Ratinho diz não se arrepender de crítica a Erika Hilton: “Não vou mudar”

Apresentador do “SBT” afirmou ser “vítima de patrulhamento e lacração” após comentários sobre a deputada em seu programa

O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, disse não se arrepender dos comentários que fez sobre a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) ter sido eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. A declaração foi dada durante o “Programa do Ratinho”, exibido na noite de 2ª feira (16.mar.2026) no SBT.

“Fui envolvido em um verdadeiro furacão depois de dar uma opinião aqui no programa”, afirmou o apresentador. No programa de 11 de março, Ratinho disse que a deputada não era digna do cargo por não ter nascido mulher.

Ratinho afirmou ter recebido milhares de mensagens de apoio e disse que a sua sinceridade é “o que mais incomoda as pessoas”. “É o meu jeito direto e reto de falar as coisas e, nos tempos atuais, quem fala a verdade pode ser vítima de patrulhamento e lacração, o que no meu tempo não tinha”, declarou o apresentador.

“Eu não vou mudar o meu jeito de ser para agradar quem quer que seja. Fica o recado. Vamos continuar o nosso programa e vamos continuar com a nossa opinião. Eu não vou mudar”, concluiu Ratinho.

Em 12 de março, Erika Hilton protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo contra Ratinho. A congressista pediu a abertura de investigação criminal, a condenação à prisão e o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

Segundo o documento, o apresentador questionou a legitimidade de Hilton no cargo por ela ser uma mulher trans. Entre as declarações citadas na ação, Ratinho afirmou que a deputada “não é mulher, é trans” e disse que, para ser mulher, seria necessário “ter útero” e “menstruar”. Ele também questionou se a congressista teria condições de compreender “os problemas e desafios de quem nasceu mulher”.

Na representação, Hilton afirma que as declarações ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram discurso discriminatório contra pessoas trans. O pedido solicita a responsabilização do apresentador por crimes como:

  • transfobia, equiparada ao crime de racismo pelo STF;
  • violência política de gênero;
  • injúria transfóbica.

A deputada também pede que Ratinho e o SBT publiquem retratação pública. O valor da indenização de R$ 10 milhões, segundo a congressista, deveria ser destinado a projetos e organizações de apoio a mulheres vítimas de violência.

“Além de atacar diretamente a Representada, a fala do Representado em questão possui um impacto muito mais amplo. Sua declaração transfóbica não apenas perpetua o preconceito e a discriminação, mas também encoraja comportamentos hostis e agressivos por parte do público.”

Nota do SBT sobre o caso: “O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores.”

Fonte: Poder360

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