Filho do presidente é apontado como um dos facilitadores do esquema de fraude; relatório final serve de base para abertura formal de investigações
Encerrada a fase de responsabilização penal, a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito do INSS, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi incluído no relatório final da CPMI.
O trecho do documento (páginas 3.670 a 4.172) detalha o que os congressistas classificam como um “megaesquema” de fraudes em benefícios previdenciários.
O relatório sinaliza que o filho do presidente não era apenas um “mero conhecido” do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pela PF (Polícia Federal) como um dos operadores centrais do esquema bilionário que lesou aposentados.
A investigação deixa evidente que Fábio Luís se valeu de seu prestígio familiar e trânsito governamental para atuar como facilitador de acesso ao “possível sócio oculto” de Antunes em negócios envolvendo o Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O relator afirma que Lulinha teria recebido repasses financeiros intermediados pela empresária Roberta Moreira Luchsinger, amiga de Fábio Luís e herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse.
Ex-Ministro e Congressistas Alvos
O relatório é bastante incisivo em relação ao ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT), que foi indiciado por prevaricação, omissão deliberada e blindagem política da cúpula do INSS. O texto afirma que Lupi ignorou sucessivos alertas sobre as fraudes, o que teria permitido que os descontos indevidos passassem de R$ 706 milhões em 2022 para mais de R$ 3,3 bilhões em 2024.
Também foram incluídos nos pedidos de indiciamento:
- Weverton Rocha (PDT-MA): descrito pela PF e pela CPMI como “liderança e sustentáculo” das atividades do lobista;
- Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”: planilhas indicam atuação como “sócio oculto”, com recebimento de benefícios por meio de assessores e manutenção de aeronave particular (avaliada em R$ 2,8 milhões) custeada por empresas de fachada;
- Euclydes Pettersen (Republicanos-MG): segundo a PF, atuava para capturar institucionalmente a cúpula do INSS e blindar entidades como a Conafer contra fiscalizações. De acordo com o relatório, uma rede financeira ligada a seu gabinete movimentou ao menos R$ 30,1 milhões.
Operação de Lavagem
A seção de indiciamentos detalha as condutas do núcleo financeiro e operacional do esquema, que cobrava taxas não autorizadas de idosos de baixa renda em todo o país.
A estrutura envolvia desde funcionários estratégicos do INSS —como ex-presidentes e diretores de benefícios— até operadores responsáveis pela lavagem de dinheiro por meio de contas de passagem, associações sindicais (como o Sindnapi) e empresas de corretagem.
Os crimes incluem organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, furto e fraude eletrônica. O relatório requer o envio das provas ao STF (Supremo Tribunal Federal), à PF e ao Ministério Público para assegurar o ressarcimento aos cofres públicos e aos beneficiários lesados.
Fonte: Agência Senado



