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segunda-feira, 18 de maio, 2026

Casos de aliciamento virtual acendem alerta para órgãos de proteção, diz prefeitura

Evento promovido pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Conselho Tutelar e Núcleo de Educação Permanente debateu nesta segunda-feira os riscos da internet e reforçou a necessidade de vigilância dos pais sobre celulares, jogos e redes sociais

O avanço da tecnologia e o uso cada vez mais precoce de celulares por crianças e adolescentes têm acendido um alerta entre autoridades, educadores e órgãos de proteção em Dourados. Durante evento realizado nesta segunda-feira (18), especialistas destacaram que os perigos que antes estavam nas ruas agora podem estar dentro de casa, na palma da mão.

A discussão ocorreu durante a palestra “ECA Digital: desafios e riscos na era da internet”, promovida pela Prefeitura de Dourados, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Conselho Tutelar e Diretoria de Gestão do SUAS/Núcleo de Educação Permanente. O encontro integrou a campanha Maio Laranja, voltada ao combate do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes.

O evento, na Associação Comercial e Empresarial de Dourados (Aced), reuniu diretores escolares, coordenadores, psicólogos, representantes da OAB, Guarda Municipal, assistentes sociais e profissionais da rede de proteção, com o objetivo de transformar esses participantes em multiplicadores de informação nas escolas e instituições. 

Casos de aliciamento virtual acendem alerta para órgãos de proteção, diz prefeitura
Casos de aliciamento virtual acendem alerta para órgãos de proteção, diz prefeitura

A secretária municipal de Assistência Social, Shirley Flores Zarpelon, ressaltou que muitos casos de abuso acontecem dentro do próprio ambiente familiar e que a internet ampliou os riscos para crianças e adolescentes. Segundo ela, muitos pais ainda desconhecem o alcance das redes sociais, aplicativos e jogos online. “Precisamos identificar sinais, ouvir as crianças e não ignorar mudanças de comportamento. Muitas vezes a violência não chega até os serviços públicos de forma clara”, destacou durante a abertura do encontro.

A palestra foi ministrada pelo promotor de Justiça Thiago Barile Galvão de França, integrante do Núcleo da Infância e Juventude do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Ele chamou atenção para a mudança no perfil dos crimes envolvendo menores. “O maior perigo antigamente era a criança conversar com estranhos na rua. Hoje, o risco é ela ficar sozinha no quarto com um celular”, afirmou.

De acordo com o promotor, muitos dos casos que chegam ao Ministério Público envolvem aliciamento virtual, pornografia infantil e ameaças feitas por pessoas que utilizam aplicativos, jogos e redes sociais para se aproximar das vítimas. Ele reforçou que professores, coordenadores, zeladores e familiares precisam levar qualquer relato a sério.

As conselheiras tutelares Eliane Tetila e Jaqueline Campos alertaram que muitos adolescentes estão passando madrugadas inteiras conectados, o que afeta o rendimento escolar e aumenta a exposição a criminosos virtuais. “Elas procuram pessoas de confiança para contar o que estão vivendo. Pode ser um professor, coordenador ou familiar. Toda suspeita precisa ser ouvida com atenção e denunciada”, afirmaram.

As conselheiras citaram exemplos de situações já registradas em Dourados. Uma delas envolveu a chamada brincadeira “o mestre mandou”, usada por criminosos na internet para induzir crianças a cumprir desafios perigosos. Em um dos casos acompanhados pelo Conselho Tutelar, um desconhecido orientava alunos a arrastarem uma colega para dentro do banheiro da escola.

Outro episódio citado envolveu uma criança que passou a sofrer ameaças após enviar imagens para um aliciador em um aplicativo onde as fotos desapareciam após 24 horas.

A vice-prefeita Gianni Nogueira também participou do encontro e destacou que muitos responsáveis ainda desconhecem os perigos do ambiente digital. Segundo ela, além da orientação, é preciso incentivar as denúncias e romper o medo que muitas famílias têm de procurar ajuda.

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