A Promotoria Pública paraguaia está relacionando, na denúncia feita em agosto passado, Alexandre Rodrigues Gomes com as cargas de 177 quilos e 360 quilos de cocaína, apreendidas e perdidas em um acidente de avião, respectivamente, em território brasileiro. Ambos os casos foram registrados em 2020, de acordo com extrações de mensagens da plataforma “Sky ECC”.
Na acusação apresentada pelos promotores Andrés Arriola, Ingrid Cubilla e Elva Cáceres, são expostos elementos que ligam Alexandre Rodrigues Gomes, filho do falecido congressista do Colorado Eulalio “Lalo” Gomes e investigado no caso Pavo Real Py II, ao tráfico de cocaína e à perda de importantes remessas dessa substância no Brasil.
Com base em conversas gravadas, entre Alexandre Rodrigues Gomes e o falecido doleiro Óscar Cabreira Pinazo, na plataforma Sky ECC com seus respectivos pseudônimos “Gyvenchi” e “Simba”. Nesse chat, Alexandre transmitiu informações para Cabreira pedindo para ele não compartilhar.
Essa comunicação era sobre uma conversa que Alexandre teve com o usuário de pseudônimo “Mandibu”, que informou que as autoridades brasileiras interceptaram um caminhão, em um controle rotineiro do BR-376, e encontraram 177 quilos de cocaína escondidos. A apreensão ocorreu em 31 de janeiro de 2020, em Marialva, a 400 quilômetros do destino final, que seria Paranaguá.
De acordo com as conversas extraídas, Alexandre comentou em 1º de fevereiro de 2020 que “ontem eles perderam”, aludindo à apreensão de cocaína que ocorreu no dia anterior. Além disso, o chat também menciona a mesma quantidade de drogas confiscadas e que a embalagem tinha o logo do desenho “Hello Kitty”.

Uma segunda remessa de drogas chegou ao seu destino
As conversas obtidas pelo Ministério Público reforçaram a hipótese de que Alexandre Rodrigues fazia parte, ou até mesmo era o líder de um esquema de tráfico de drogas. Também falam de uma remessa que chegou a São Paulo e tinha o mesmo logo da droga apreendida, ou seja, a “Hello Kitty”.
A remessa mencionada era de 300 quilos, que Alexandre conseguiu levar até a cidade de São Paulo. Sobre isso, uma conversa entre Alexandre e usuários dos PINES “96EJ41”, “1BE98A”, “5C3D57” e “CB2CDE” é registrada, no Sky ECC, onde Alexandre menciona que em 1º de fevereiro de 2020, a entrega da carga foi concluída.
Para provar isso, ele chegou a enviar uma imagem de vários tabletes de suposta cocaína com o logo “Hello Kitty”, dentro de um veículo com rodas. Esses pães tinham o mesmo padrão dos tabletes apreendidos que, horas antes, haviam sido apreendidos pela polícia brasileira em Marialva.
De acordo com o que está declarado na acusação, “o fato de ambas as remessas compartilharem o mesmo logotipo e a mesma embalagem reforça a hipótese de que a remessa apreendida pertencia a Alexandre Rodrigues Gomes e que fazia parte de uma operação que estava sendo realizada.”
O suposto grupo de Alexandre Rodrigues perdeu outra carga
Outro evento apontado na acusação do promotor é mencionado em conversas que Alexandre Rodrigues teve sobre o acidente de uma aeronave com matrícula PT-000, que estava carregada com 360 quilos de cocaína. Sofreu um acidente de avião, no qual o piloto perdeu a vida e a droga foi perdida, pois foi apreendida.
Sobre esse evento, em uma das conversas que Alexandre Rodrigues teve, mas sob o pseudônimo “Burberry” com outro suposto membro da organização, em 14 de novembro de 2020, o réu disse que seu piloto desapareceu, faltando 20 minutos, e que ele passou duas vezes na pista, que algo deve ter acontecido e certamente ele desembarcou em outro lugar.
Em outro momento, Alexandre expressou no chat que o avião e as drogas já haviam sido encontrados e que foi um acidente, onde o piloto também morreu, que a polícia já encontrou a bolsa (com cocaína) e que ela já está nas notícias e que deveriam ver o GPS. Nessa conversa, Alexandre também enviou uma imagem em que o avião acidentado é observado, segundo o memorando do promotor.
À medida que a conversa avançava, Alexandre teorizava sobre as razões do acidente, como a falta de combustível. No entanto, entre 15 e 16 de novembro de 2020, falando ao usuário “SCJP8Y”, Alexandre disse que abasteceu seu tanque e que pode ser que não tenha esticado mais o combustível.
Na análise dos dados do “67BADE”, também conhecido como Burberry, usado por Alexandre Rodrigues, indicam que ele é o dono da carga de 360 quilos de cocaína apreendida, que foi transportada no avião com matrícula PT-000, guiado pelo piloto Marcelo Ricardo Freitas Gonzaga, que perdeu a vida.



