A cessão da cana-de-açúcar e dos contratos com fornecedores vinculados à unidade estão incluídas na operação
Em uma operação que também inclui a cessão da cana-de-açúcar da Raízen e dos contratos com fornecedores de matéria-prima vinculados à unidade, é estimado em R$ 760 milhões, a Adecoagro comprou da Raízen a Usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul.
Desde 2025, a Raízen já acertou vendas de ativos que somam em torno de R$ 12,7 bilhões, considerando a operação de ontem. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões já entraram no caixa e o restante está em fase de conclusão. A maior parte desse saldo corresponde à venda dos ativos de refino e comercialização de combustíveis na Argentina.
Após a conclusão do negócio, a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, passará a operar um portfólio de 23 usinas, com capacidade instalada de moagem de cana de aproximadamente 69 milhões de toneladas por safra.
A transação com a Adecoagro faz parte da estratégia de venda de ativos da Raízen para redução de seu endividamento e da “complexidade operacional”. Em março, a companhia entrou com o pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.
A crise já fez a Raízen perder 87% em valor de mercado desde o início de 2025, quando o indicador era de R$ 22,05 bilhões. Ontem, as ações fecharam a R$ 0,27, e o valor na B3 ficou em R$ 2,8 bilhões.
No exercício fiscal 2025/26, encerrado em 31 de março, a Raízen teve prejuízo de R$ 27,1 bilhões. O resultado foi afetado por uma perda de R$ 22,5 bilhões por redução do valor recuperável de ativos (impairments). A dívida líquida atingiu R$ 58,2 bilhões, aumento de 69,9% em relação ciclo anterior. A alavancagem (relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda), chegou a 5,2 vezes.
Em relatório, o Citi disse que a entrada de recursos com a venda da Caarapó é positiva porque contribui para reduzir a complexidade das operações e otimizar o portfólio da Raízen. Na avaliação dos analistas, porém, o valor da operação é insuficiente para reduzir de forma significativa a alavancagem e ajustar a estrutura de capital da empresa.
Desde 2025, a empresa concluiu as vendas das usinas Leme (SP), Rio Brilhante (MS), Passatempo (MS), Continental (SP) e dos ativos e contratos agrícolas da usina Santa Elisa (SP). Também desinvestiu na Raízen Power Comercializadora de Energia, da Raízen GD, de energia solar, e vendeu ativos de refino e comercialização de combustível na Argentina.
Com a aquisição, a Adecoagro deve ampliar sua capacidade de processamento de cana-de-açúcar em 24%, para 17,7 milhões de toneladas. Em nota, a empresa disse que a transação é um desdobramento natural de seu modelo de produção de baixo custo e que “fortalecerá sua presença no setor de açúcar e etanol ao criar um polo mais integrado, competitivo e com maior potencial de crescimento na região”. A Adecoagro tem outras duas usinas em Mato Grosso do Sul, em Angélica e Ivinhema, ambas a menos de 100 quilômetros da nova unidade em Caarapó.
A conclusão da venda da Caarapó à Adecoagro está sujeita à aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e ao cumprimento de condições precedentes estabelecidas nos contratos.
Fonte: Globo Rural





