Aurineide Alencar saiu de Dourados e rodou mais de 3 mil km até o Nordeste para levar o cordel de Mato Grosso do Sul
Em sua viagem, Aurineide fez questão de passar em Juazeiro do Norte, no Ceará, para agradecer ao Padre Cícero. Depois seguiu mais 180 km até Serra Talhada, em Pernambuco, onde acontece o XIV Festival Vamos Fazer Poesia, nos dias 25 e 26 de abril, no Sesc Serra Talhada.
O evento reúne poetas do Brasil, com objetivo de valorizar a cultura nordestina. A cordelista participará pela primeira vez do evento e será homenageada pelo trabalho com a “Cordelteca Itinerante Cantinho do Cordel”. A Cordelteca é uma Kombi vermelha que virou biblioteca sobre rodas. Dentro dela vão mais de três mil livros de cordel, entre antigos e novos. Desde 2019, Aurineide roda escolas, praças e comunidades levando leitura e tradição. A iniciativa é reconhecida como Biblioteca Comunitária de MS. Paraibana de nascimento, ela mora em Dourados desde os anos 90, e cresceu ouvindo cordel. “Nasci onde o povo respira o cordel. A gente brincava fazendo trova, aprendia com os mais velhos”, conta. Professora, começou a usar os versos na sala de aula. “Eu aprendi a ler com o cordel. Vi que as crianças aprendiam mais fácil quando o conteúdo virava rima”.
A parada em Juazeiro não foi por acaso. Padre Cícero, o “Padim Ciço”, é símbolo de fé no Nordeste e aparece direto nos folhetos de cordel. “Passei por lá para agradecer. Era algo que eu precisava fazer antes de seguir viagem”, diz Aurineide.
Para ela, cordel é alegria. “É como música para os ouvidos. Prende a atenção. Às vezes a gente está com problema, mas quando escuta um cordel, tudo fica mais leve”. É com essa leveza que ela segue estrada, levando verso, história e fé na bagagem.
Fonte: Canal Daqui



