Após derrota de Jorge Messias no Senado, presidente poupa sua imagem e repete estratégia que adotou quando as fraudes no INSS vieram à tona
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não comparecerá às manifestações do Dia do Trabalhador nesta 6ª feira (1º de maio). Na mesma semana em que o governo sofreu a derrota de Jorge Messias no Senado, o petista repete a ausência registrada em 2025, quando também evitou os atos públicos depois de desgastes políticos.
Em vez de aparecer nas ruas, Lula optou por gravar um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, exibido na véspera, 5ª feira (30.abr).
O episódio envolvendo a indicação de Jorge Messias expôs fragilidades no Palácio do Planalto.
Em 2025, Lula desistiu de participar dos atos de 1º de Maio para evitar desgaste depois da revelação de fraudes no INSS.
Em 2024, um ato das centrais sindicais reuniu pouco mais de 1.600 pessoas no estacionamento da Neo Química Arena, em São Paulo.
No palanque, Lula cobrou o então ministro da Secretaria Geral da Presidência, Márcio Macêdo –responsável pela articulação com movimentos sociais–, classificando o ato como “mal convocado” e dizendo que o governo “não fez o esforço necessário” para mobilizar o público.
Neste ano, o painel do governo nos atos será formado por ministros e ex-ministros.
O atual chefe da pasta, Guilherme Boulos (Psol), participa da mobilização do Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP). O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e ministro da Educação, Leonardo Barchini, também vão estar na manifestação.
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), terá presença em 2 eventos: no ato da Força Sindical, no bairro da Liberdade, em São Paulo, e em São Bernardo do Campo. No 1º evento, a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), participa.
A ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), participará do evento do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos, no Palácio do Trabalhador, também no bairro da Liberdade.
Os ex-ministros estão no centro das articulações eleitorais de 2026 –Haddad como candidato ao governo e Tebet e Marina ao Senado.
A assessoria do Palácio do Planalto afirmou que a ausência de Lula não tem relação com saúde. Na semana passada, em 24 de abril, o presidente passou por uma cirurgia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para retirada de uma lesão no couro cabeludo — um carcinoma basocelular, tipo mais comum e menos grave de câncer de pele.
Neste ano, o PT organizou atos nos 27 estados em parceria com centrais sindicais e movimentos sociais. A principal pauta das manifestações é o fim da escala de trabalho 6 x 1.
Defesa da 6 X 1
No pronunciamento, Lula disse que o governo lançará a versão 2.0 do programa Desenrola, mirando o alto endividamento das famílias –já próximo de 50%. A medida busca reativar a economia no varejo e será formalmente lançado na 2ª feira (4.mai). Também defendeu o fim da escala 6 X 1, que tramita na Câmara e tende a ganhar tração nas próximas semanas.
O Planalto decidiu vender a redução da jornada como uma política de bem-estar para as mulheres. Durante o pronunciamento, Lula disse que a escala 6 X 1 penaliza quem enfrenta a dupla jornada –trabalho e cuidados domésticos. A estratégia é consolidar o apoio em um segmento onde o governo mantém bons índices de aprovação. Como mostrou o Poder360, mulheres são um dos focos da campanha de Lula.
As medidas contra o endividamento também focam neste público. O governo investiu R$ 1,5 milhão para impulsionar conteúdos sobre o fim da escala 6 x 1 nas redes sociais, com o objetivo de alcançar trabalhadores do setor de serviços — segmento onde a jornada é mais comum.
Fonte: Sérgio Lima/Poder360


