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terça-feira, 23 de junho, 2026

Operação internacional apreende 50 toneladas de cocaína líquida em madeira

Receita Federal informou que a cocaína não estava armazenada em tabletes ou pacotes; criminosos encharcaram a madeira com a cocaína, que estava em estado líquido

Uma operação internacional realizada neste domingo (21) apreendeu dezenas de toneladas de cocaína líquida misturadas a madeiras na fronteira do Brasil com a Bolívia, numa carga pode ser a maior já apreendida no país.

No total, 8 caminhões transportavam 260 toneladas de madeira em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A Receita Federal estima que até 50 toneladas sejam de cocaína.

As investigações apontam que a carga saiu da Bolívia e tem relação com outra apreensão ocorrida no Chile. O caso segue sob investigação da Polícia Federal.

A ação ocorreu em Corumbá (MS) e em Cáceres (MT) e pode resultar na maior apreensão de cocaína já registrada no Brasil. A operação, batizada de Timber Shield, foi coordenada pela Receita Federal com apoio da Polícia Federal, Exército Brasileiro, autoridades da Bolívia e dos Estados Unidos. A PF e a Receita não informaram qual o método que será utilizado para a extração da cocaína da madeira.

Como a droga era escondida?

Segundo a Receita Federal, .o método utilizado é considerado sofisticado e tem sido utilizado por organizações criminosas com a intenção de dificultar a identificação da droga durante inspeções em portos, estradas e fronteiras. A técnica altera a aparência da carga e permite que a substância ilícita seja transportada com um produto aparentemente legal.

Onde a carga foi encontrada?

As autoridades monitoravam o esquema após receberem informações de inteligência compartilhadas entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia.

Segundo a Receita Federal, análises de inteligência compartilhadas por autoridades dos Estados Unidos e pela Aduana da Bolívia indicavam a possibilidade real de que a carga estivesse contaminada com cocaína e a suspeita levou ao monitoramento dos caminhões ainda na região de fronteira.

A partir das informações, equipes iniciaram uma fiscalização reforçada na fronteira e interceptaram os oito caminhões carregados com madeira.

Do total, quatro veículos foram retidos em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).

Durante as inspeções, um cão farejador demonstrou interesse excessivo na carga, reforçando as suspeitas das equipes de fiscalização e contribuindo para o aprofundamento das análises. As cargas somam aproximadamente 260 toneladas de madeira.

Testes preliminares realizados pelas equipes de perícia apontaram indícios da presença de cocaína na carga. No entanto, a confirmação definitiva ainda depende das análises laboratoriais conduzidas pela Polícia Federal, que acompanha a custódia dos caminhões e a investigação do caso.

Quantidade pode chegar a 50 toneladas.

Operação internacional apreende 50 toneladas de cocaína líquida em madeira
Material estava em caminhões apreendidos pelos agentes — Foto: Divugação


Com base em apreensões anteriores que utilizaram o mesmo método de ocultação, a Receita Federal estima que entre 10% e 20% do peso total da carga possa corresponder à cocaína.

Se a suspeita for confirmada, o volume pode variar entre 20 e 50 toneladas da droga.

Segundo a Receita, esse número colocaria a operação como a maior apreensão de cocaína da história do Brasil e uma das maiores já registradas no mundo.

As investigações também apontam semelhanças com outras apreensões realizadas recentemente no Peru, o que reforça a suspeita de atuação de uma organização criminosa transnacional utilizando o mesmo método para transportar cocaína em grandes volumes pela América do Sul.

A suspeita é que o esquema descoberto em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso pode estar ligado a uma apreensão realizada no Chile no último dia 6 de junho.

Na ocasião, autoridades chilenas interceptaram cerca de 100 toneladas de cocaína provenientes da Bolívia utilizando o mesmo método: cocaína líquida misturada à madeira.

Informações compartilhadas pelos Estados Unidos indicam que as cargas apreendidas no Chile e no Brasil teriam saído do mesmo centro de produção

Destino da droga

Conforme as informações obtidas durante a operação, a carga tinha como destino os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná. Parte dos caminhões seguiria para Campo Grande antes da distribuição da mercadoria.

Enquanto os laudos definitivos não são concluídos, os caminhões permanecem sob vigilância das autoridades. Em Corumbá, as cargas estão armazenadas no pátio da Agesa, principal porto seco da região e importante terminal logístico e aduaneiro na fronteira com a Bolívia.

A investigação da Polícia Federal deverá identificar os responsáveis pelo transporte, os destinatários da carga e os países que receberiam a cocaína.

A Polícia Federal acompanha a custódia da carga e conduz as análises que irão determinar a quantidade exata de droga transportada.

O resultado positivo para cocaína obtido no local da apreensão é apenas preliminar. Segundo a PF, amostras da madeira foram encaminhadas para Campo Grande, onde serão submetidas a exames periciais em equipamentos especializados. Somente após a conclusão desses testes será possível confirmar oficialmente se a substância encontrada é cocaína e qual o volume presente na carga.

Também participaram da operação a Receita Federal, o Exército Brasileiro, o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), de Mato Grosso, e as polícias técnico-científicas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Segundo a Receita Federal, as cargas permanecem sob fiscalização e não poderão retornar para a Bolívia. Os trabalhos periciais continuam para confirmar a presença da droga e determinar o volume exato apreendido.

Para as autoridades, a operação evidencia o grau de sofisticação das organizações criminosas que atuam no tráfico internacional e demonstra a importância da cooperação entre os países no combate ao crime organizado.

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