O crime brutal que tirou a vida do jovem douradense foi motivado por uma dívida de R$ 300 mil entre o empresário Cláudio Henrique e o homem que, por conta de um atraso, acabou escapando do atentado
Em entrevista coletiva realizada na manhã desta quarta-feira, na Delegacia Regional de Polícia Civil, o delegado Lucas Veppo, chefe do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Dourados, esclareceu toda a trama que acabou vitimando, por engano, o jovem Vítor Orsini, de 19 anos, no último dia 17, na garagem de automóveis de sua família, na Rua Hayel Bon Faker, em Dourados.
Dívidas provenientes do tráfico de drogas e uma negociação falsa de veículos foram o combustível para a articulação de um homicídio, que acabou sendo cometido contra a pessoa errada, que sequer sabia de toda essa trama. O verdadeiro alvo dos criminosos escapou da morte por conta de um atraso de poucos minutos. Segundo o delegado Lucas Veppo disse durante a coletiva realizada na manhã de hoje na Delegacia Regional de Polícia Civil. Nas informações detalhadas do caso, o delegado revelou como a polícia reconstituiu o crime, descartando também qualquer tipo d envolvimento da vítima com atividades ilícitas, ao apontar toda a cadeia de executores, mandantes e apoiadores logísticos.
Pista
Desde os primeiros minutos após o crime, a equipe do SIG esteve no local colhendo evidências, imagens de câmeras de segurança e ouvindo testemunhas. Segundo o delegado Lucas Veppo, a motivação inicial era nebulosa, uma vez que a vida de Vitor não apresentava qualquer histórico de ameaças ou conduta ilícita.
Lucas contou que passou “o final de semana inteiro em posse do aparelho celular do Vitor analisando conversas, informações, checando se havia envolvimento de outras pessoas”, descartando então qualquer dessas possibilidades. Ele acrescentou que o telefone e o computador dele (Vítor) não tinham nada que indicasse alguma ameaça pretérita ou envolvimento com atividades ilícitas”.
O delegado disse ter atentado para um detalhe que veio a contribuir diretamente para elucidar o caso. “Uma mensagem recebida por Vitor na manhã da sexta-feira em que o crime ocorreu. A conversa tratava da negociação de um veículo, marcada para acontecer exatamente às 14h na garagem de seu pai — horário exato em que os atiradores invadiram o local”.
A partir deste detalhe, de acordo com o delegado, “as investigações avançaram rapidamente”. Na terça-feira seguinte ao crime (dia 11), a Polícia Civil efetuou a prisão em flagrante do executor no assentamento Itamarati, em Ponta Porã, além da apreensão de um adolescente em Dourados.
Adolescente
O jovem ficou responsável e executou, na madrugada do dia 7, o furto da motocicleta utilizada no crime, entregando o veículo aos executores que vieram de Ponta Porã no horário do almoço. Depois, foi o guia dos atiradores (que não conheciam a cidade) até a garagem para identificar o local do crime.
Atirador
O atirador Denis Barbosa de Melo, que é de Brasília, onde possui extensa ficha criminal, veio para a região de fronteira há cerca de 3 ou 4 meses, onde estava atuando no transporte de entorpecentes. Por ter contraído dívidas com criminosos da região, aceitou cometer o homicídio para quitar a dívida, quando ainda receberia um valor complementar.
Ao ser interrogado, Denis acabou revelando um dado importante, quando disse que ao retornar a Ponta Porã, foi informado pelo contratante de que haviam matado a pessoa errada.
A prisão do piloto da motocicleta, posteriormente, em Ponta Porã trouxe a confirmação do erro na execução. A dinâmica da confusão ocorreu por uma soma de fatores.
Em primeiro lugar, tanto o atirador quanto o piloto não conheciam pessoalmente quem deveriam atacar, pois o haviam visto apenas fotos do indivíduo. Outros detalhes importantes foram as coincidências do horário e do local, haja vista que os dois foram informados que seu alvo estaria na garagem às 14 horas para negociar uma caminhonete com o pai de Vitor.
Apontamento Errado: Como Vitor estava no local e no horário exato combinado na falsa negociação, o piloto apontou Vitor ao atirador dizendo: “Olha, é aquela pessoa lá”.
Lucas Veppo também desmentiu os diversos boatos que foram postados nas redes sociais, esclarecendo que a Polícia Civil localizou e ouviu formalmente o homem que era o verdadeiro alvo da execução. O depoimento já está oficialmente juntado aos autos do inquérito.
O mandante da execução, Cláudio Henrique de Arruda empresário, dono de academia em Ponta Porã já se conhecem há cerca de 15 anos por envolvimento com o tráfico de drogas. Cláudio tinha uma dívida com o homem de Dourados que começou em R$ 240 mil, que hoje é mais de R$ 300 mil. Com objetivo de não pagar a dívida, usou a falsa negociação de veículo para atraí-lo até a garagem.
Atraso
Em depoimento à polícia, o homem marcado para morrer contou que se atrasou em uma loja de material de construção com a esposa. Quando se deslocava para a garagem, viu a notícia da morte de Vitor pela internet e percebeu a emboscada.
Capturas
Os agentes do SIG, com apoio da DEFRON e das delegacias de Ponta Porã, cumpriram, no dia 20 em Ponta Porã, mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Cláudio Henrique, O dono da academia foi preso em Ponta Porã e em sua residência foram apreendidas munições calibre .380 (o que gerou também auto de prisão em flagrante), R$ 10 mil em espécie e joias avaliadas em cerca de R$ 70 mil.
Hoje, dos quatro envolvidos, o menor foi apreendido e está na Unidade Educacional de Internação (UNEI). Já os três maiores, foram presos preventivamente sendo encaminhados para a Penitenciária Estadual de Dourados (PED). Ainda estão sendo procurados, inclusive com fotos divulgadas, que são apontados como intermediadores da contratação dos atiradores, tendo inclusive feito o transporte da dupla de Ponta Porã a Dourados.
O delegado Lucas Veppo destacou que, embora o inquérito principal esteja na fase final com evidências concretas e indiscutíveis da motivação financeira, as investigações continuam com a perícia dos telefones apreendidos para verificar a eventual participação de outros envolvidos.
Por sua vez, o delegado regional de Polícia Civil de Dourados, Adilson Stiguivitis, que participou da coletiva, alertou sobre consequências de postagens com notícias falsas sobre o caso que teriam sido veiculadas na internet, reiterando ainda que as investigações sobre o caso prosseguem. ” As portas estão de portas abertas para receber qualquer pessoa que tenha alguma informação, que tenha algo que possa colaborar com a polícia no desenvolvimento das investigações. Estamos à disposição. E lembrando que, é, a internet não é terra sem lei. O que você posta ali, o que você fala, pode ser considerado um crime, pode gerar uma indenização cível”, completou.


