Corpo de Brendon Lucas, de 23 anos, foi encontrado em área de mata no Alto São Bento, em ponto usado pelo crime para vigiar o bairro. Vereador que acompanhou as buscas aponta desacerto por drogas
A Polícia Militar de Santa Catarina encontrou o corpo do estudante de Direito Brendon Lucas, de 23 anos, em uma área de mata no morro do bairro Alto São Bento, em Itapema, na tarde desta quarta-feira (26). O douradense estava desaparecido desde a noite de sábado (22.
O local onde o corpo foi encontrado, segundo o presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara de Itapema, vereador Saulo Ramos, é usado pelo crime como posição de vigia. De lá é possível enxergar todo o bairro. “Eles vêm de cima quando as guarnições se aproximam para poder avisar os aviõezinhos que vendem a droga na parte baixa”, declarou. Segundo o vereador, havia vestígios de fogo e de consumo de drogas no terreno.
A linha de investigação apontada por quem acompanhou as buscas é a de que o jovem teria subido o morro para comprar droga e teria acabado morto após um desacerto ali. “Possivelmente nesse desacerto por conta de droga ele acabou vindo a ser assassinado no local”, afirmou Ramos. Ele disse ainda que a própria família informou que Brendon era usuário de cocaína. A Polícia Civil não confirmou a motivação nem divulgou a causa da morte.
O vereador também apontou a região como área de atuação do PGC, que teria passado a operar em conjunto com o Comando Vermelho. “Moradores já dão conta de que criminosos do Rio de Janeiro estão aqui nessa região atuando em conjunto com o PGC”, disse, mas essa informação não foi confirmada oficialmente.
Brendon havia chegado a Santa Catarina cerca de um mês antes, a trabalho. Cursava o sexto semestre de Direito e morava com a família em Dourados. No sábado, saiu para cortar o cabelo. Foi visto pela última vez por volta das 18 horas no bairro Sertãozinho; às 18h30 ele enviou a última mensagem aos parentes.
O que apareceu depois fez a família descartar a hipótese de saída voluntária. O carro usado pelo jovem foi encontrado abandonado no Alto São Bento. O celular estava quebrado às margens da BR-101, longe do veículo. Os dois achados não fechavam com um desaparecimento comum e sustentaram, desde o início, a suspeita de crime.
A família procurou a Câmara de Vereadores ainda no domingo e na segunda-feira. “Eu conhecendo a região aqui, é uma região conflagrada pelo crime sim, eu já estive em ocorrências de troca de tiro aqui nesse bairro também”, afirmou Ramos, que é policial militar da reserva e diz ter atuado 15 anos na corporação.
Na terça-feira (25), as buscas ganharam reforço da ROMU e da Guarda Municipal. Familiares e voluntários também subiram o morro. Grupos percorreram trechos onde viatura não entra e o deslocamento só é possível a pé. Foi uma denúncia recebida nesta quarta-feira que levou as equipes ao ponto exato onde o corpo estava, em uma parte alta da mata. Naquele momento, a hipótese que circulava era a de sequestro por integrantes de facção.
A área foi isolada assim que o corpo foi localizado, e a Polícia Científica assumiu os trabalhos periciais, que irão determinar a causa da morte e há quanto tempo o corpo estava no local. Viaturas da Polícia Militar, da Guarda Municipal e da ROMU permaneceram na rua de acesso durante toda a tarde.
O caso expõe um problema que moradores do Alto São Bento relatam há algum tempo. A ocupação cresceu na parte alta de Itapema sem pavimentação, saneamento ou presença permanente do poder público, e o único braço do Estado que sobe o morro com regularidade é a polícia. “Se nós queremos livrar essas comunidades do crime, tem que oferecer educação, saneamento, saúde e também a polícia, mas não só a polícia”, completou o vereador.
A Polícia Civil apura as circunstâncias e busca reconstituir o que aconteceu entre a noite de sábado, quando Brendon foi visto pela última vez no Sertãozinho, e a tarde desta quarta-feira, a poucos quilômetros dali. O corpo foi liberado à família após os exames, e os parentes, que estavam em Itapema desde os primeiros dias de busca, aguardam a conclusão dos procedimentos para levar o corpo do jovem de volta a Dourados.
Fonte: Jornal Razão



