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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Relatório aponta indícios de fraudes do Master com fundo investigado por elo com PCC

Relatório da autoridade monetária em poder do TCU mostra que, entre julho de 2023 e julho de 2024, Master e Reag estruturaram operações com falhas graves, em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional

Um relatório enviado pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU), sobre operações suspeitas atribuídas ao Banco Master com informações que o regulador acionou o Ministério Público Federal (MPF) após identificar indícios de fraude em negócios do banco de Daniel Vorcaro com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

O relatório do Banco Central, que já está em poder do TCU, aponta que, entre julho de 2023 e julho de 2024, Master e Reag estruturaram operações com falhas graves, em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Essas transações fazem parte de um conjunto de operações estruturadas do Master com fundos no montante de R$ 11,5 bilhões, sendo dois ligados à Reag. É a segunda denúncia feita pelo BC ao MPF apontando indícios de irregularidades na atuação do Master – a primeira foi a revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ao BRB.

O BC indicou ao TCU inadequado gerenciamento de capital e risco, negócios sem garantia, liquidez, e diversificação, agravando a crise e justificando processos administrativos sancionadores, em fase de instrução.

A Reag foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, megaoperação realizada em agosto pela Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo, que mirou a relação entre o setor de combustíveis, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e empresas sediadas na região da Faria Lima, o centro financeiro paulistano. Procurada pela reportagem na tarde desta terça-feira (30), a empresa não se manifestou.

Uma das suspeitas, segundo pessoas a par das informações do Banco Central, é que os fundos teriam sido usados para pulverizar recursos em nome de terceiros, “laranjas”. Entre os fundos citados, estariam o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, administrados pela Reag. Em outra frente, esses recursos teriam sido realocados na tentativa de venda do Master para o Banco de Brasília (BRB).

“Em 17 de novembro de 2025, houve nova comunicação ao MPF por indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta. Tratava-se de operações estruturadas no montante de R$ 11,5 bilhões, que revelaram inadequado gerenciamento de capital e risco, com negócios sem garantia, liquidez, e diversfiicação, agravando a crise e justificando processos administrativos sancionadores, que se encontram em fase de instrução”, diz o documento enviado pelo BC ao TCU, reportando os achados contra o Master.

O processo em andamento no TCU apura falhas e omissões do Banco Central no caso Master e pode se transformar em trunfo para Vorcaro escapar de uma eventual condenação criminal e evitar ser forçado a fechar uma delação premiada no futuro. A apuração é mantida em sigilo pelo ministro relator Jhonatan de Jesus.

Ministros e técnicos do tribunal de contas, ouvidos na condição de anonimato, avaliam que a corte tem poder legal para investigar a atuação do BC, mas há uma divisão entre eles sobre a força do TCU para anular a liquidação do Master, decretada pelo órgão regulador do sistema bancário brasileiro em novembro passado.

Nesta terça-feira, Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foram submetidos a uma acareação por causa de versões conflitantes.

Os depoimentos ocorreram presencialmente na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e foram acompanhados por um membro do Ministério Público e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator das apurações sobre o Master na corte.

O processo no qual ocorreram os depoimentos é sigiloso. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.

A investigação sobre a tentativa de venda do Master apontou que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB, sendo R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus.

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