Refugiado no país vizinho, ex-deputado é condenado por envolvimento com jogo do bicho e, estava foragido desde julho; ele estava com o nome incluído na lista vermelha da Interpol
Aconteceu na noite deste domingo (2), a prisão, na Bolívia, do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL). As autoridades bolivianas tinham a informação que Neno teria ingressado no país de forma irregular.
Neno era considerado foragido desde julho, quando teve a prisão decretada no âmbito da Operação Successione, que investiga uma organização criminosa ligada à exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
A Justiça de Mato Grosso do Sul autorizou a inclusão do nome do ex-deputado na lista de Difusão Vermelha da Interpol em 28 de julho, porém como o procedimento ainda não havia sido concluído. Até o momento da abordagem, não havia um mandado internacional de captura contra Neno.
Informações divulgadas pelo Jornal Midiamax indicam que o ex-deputado foi abordado por policiais bolivianos, quando apresentou a Carteira Nacional de Habilitação. Na checagem, as autoridades bolivianas identificaram um mandado de prisão em aberto, expedido pela Justiça brasileira.
Segundo informações, Neno Razuk já havia sido transferido para Corumbá e será encaminhado para Campo Grande. A defesa de Neno Razuk disse não ter recebido confirmação oficial da prisão. A expectativa é que ele sejaentregue às autoridades brasileiras, mas a transferência depende de procedimentos de cooperação entre os governos dos dois países.
Neno Razuk foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. A sentença ainda era objeto de recurso.
A investigação teve início em dezembro de 2023, quando o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, deflagrou a Operação Successione. A apuração apontou a existência de um grupo que atuava de forma violenta para controlar a exploração do jogo ilegal em Campo Grande. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), os investigados estão ligados à prática de diversos crimes:
- Organização criminosa
- Roubos a mão armada
- Corrupção passiva e ativa
- Violação de sigilo funcional
- Lavagem de dinheiro
- Exploração ilegal de jogos de azar e infrações correlatas
- Disputa pelo controle do jogo do bicho
Roubos de malotes
A operação também investigou roubos de malotes pertencentes a grupos rivais. Conforme o Gaeco, três boletins de ocorrência foram registrados e duas vítimas teriam reconhecido um sargento da Polícia Militar como autor dos assaltos. Neno sempre negou envolvimento com as atividades criminosas desde o início da investigação.
Em novembro de 2025, uma nova fase da operação cumpriu 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul e em outros estados. Além de Neno, foram alvos o pai dele, Roberto Razuk, e os irmãos Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto. Segundo o Gaeco, Neno era apontado como líder da organização.
Em maio de 2026, o ex-deputado perdeu o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul após uma recontagem de votos determinada pela Justiça Eleitoral. Com a saída do cargo, também deixou de ter direito ao foro por prerrogativa de função.

