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segunda-feira, 3 de agosto, 2026

Neno Razuk já está no Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande

Preso na Bolívia, ex-deputado foi trazido para Campo Grande pelo Gaeco sem passar por audiência de custódia; ele dividirá a cela com o “primo” Rhiad Abdulahad

O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno (48), já chegou a Campo Grande e está no Centro de Triagem Anísio Lima, no Complexo Penal do Jardim Noroeste, onde vai dividir a cela com o “primo”, o advogado Rhiad Abdulahad, outro réu da Operação Successione. Preso na Bolívia na noite deste domingo (2), Neno foi entregue à PF (Polícia Federal) brasileira na fronteira, em Puerto Suárez, nesta madrugada, e depois de passar pelos procedimentos de praxe em Corumbá e foi trazido para a Capital.

O ex-parlamentar chegou ao CT cumprimentando os servidores da carceragem e se despediu da escolta do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado). 

Neno deveria participar de uma audiência de custódia marcada para as 15 horas desta segunda-feira (3), em Corumbá porém, a audiência não aconteceu porque a transferência para Campo Grande ocorreu antes do horário marcado.

Em documento anexado ao auto de prisão, a PF informou que o ex-deputado já não estava sob a responsabilidade da delegacia de Corumbá. “Dessa forma, não foi possível a participação do custodiado no compromisso agendado para hoje, 03/08/2026, às 15h”, comunicou um agente federal.

A transferência foi feita sob escolta do Gaeco em um SUV Chevrolet Blazer. Já na Capital, Neno foi levado diretamente para o Centro de Triagem, uma vez que já havia passado pelo exame de corpo de delito no Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) na cidade a 426 km de Campo Grande.

Pouco antes das 16 horas, o advogado Ricardo Souza Pereira esteve no Complexo Penal do Jardim Noroeste para tentar conversar com o cliente, mas ele ainda não havia chegado. Segundo ele, a defesa precisava verificar a situação do ex-deputado antes de definir as próximas medidas judiciais.

O advogado afirmou que não houve complicações durante os procedimentos realizados em Corumbá, mas disse que o atendimento no presídio seria retomado na manhã desta terça-feira (4), devido ao encerramento do horário reservado aos advogados.

Segundo informações do site Campo Grande News, Neno não ocupará uma das vagas da “famosa” cela 17, para onde são enviadas autoridade e outros presos “célebres” no CT. Ele ficará no mesmo espaço que abriga o advogado Rhiad Abdulahad, primo por consideração.

Neno Razuk já está no Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande
Ricardo Souza Pereira, um dos advogados de Neno, deixando o Centro de Triagem nesta tarde (Foto: Paulo Francis)

Entrega voluntária

Em nota divulgada nesta segunda-feira, a defesa afirmou que Neno entrou na Bolívia em 1º de julho, antes da expedição do mandado de prisão, e que soube da ordem judicial por meio da imprensa.

Os advogados alegam que ele não se apresentou imediatamente porque ainda aguardava o julgamento de recursos na Justiça Eleitoral contra a perda do mandato de deputado estadual. Conforme a versão da defesa, uma eventual decisão favorável poderia alterar a situação processual que levou à decretação da prisão.

Após a rejeição dos recursos pelo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) e o indeferimento de uma liminar em habeas corpus, Neno teria decidido cumprir a ordem judicial voluntariamente. A defesa afirma que comunicou a intenção à Justiça e pediu a definição das condições para a apresentação.

A entrega, no entanto, não ocorreu como planejado. Antes de retornar ao território brasileiro, Neno foi abordado por autoridades bolivianas na noite de domingo e entregue à Polícia Federal na fronteira durante a madrugada.

Na Bolívia, a detenção ocorreu por ingresso e permanência irregulares no país. A Justiça brasileira já havia autorizado a inclusão do nome de Neno na Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), mas o procedimento ainda não estava concluído. Com isso, não havia mandado internacional ativo no momento da abordagem.

Os advogados informaram que vão adotar medidas para tentar derrubar a prisão preventiva. A defesa questiona a atualidade dos fundamentos usados na decisão e afirma que buscará o restabelecimento da liberdade do ex-deputado.

Operação Successione

A prisão preventiva foi decretada pelo juiz José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, após Neno perder o mandato na Assembleia Legislativa. Com a saída do cargo, ele também perdeu o foro por prerrogativa de função.

Na decisão, o magistrado considerou que a liberdade do ex-deputado representaria risco à ordem pública. O Gaeco aponta Neno como uma das lideranças de uma organização criminosa que continuaria em atividade.

Neno é réu em uma ação decorrente da Operação Successione, que investiga suspeitas de organização criminosa, roubo, corrupção, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e exploração de jogos de azar.

Em outro processo ligado à operação, ele foi condenado em primeira instância a 15 anos, sete meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Ele recorria da sentença em liberdade.

A atual prisão preventiva foi determinada em uma ação penal diferente daquela que resultou na condenação. O ex-deputado nega envolvimento nos crimes.

Fonte: CampoGrandeNews

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